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8/1/2007
5 Perguntas: Indierock
Conheça o site de Bruno Orsini, que apresenta e comenta as novidades da música alternativa internacional
Fabiana de Carvalho

Criado há seis anos pelo advogado Bruno Orsini, o site Indierock faz a alegria dos fãs de música alternativa internacional. Resenhas de discos e shows, mp3 e muita, muita informação sobre artistas que provavelmente levarão meses para aparecer em outras publicações brasileiras (se é que irão).

Formado em Direito pela UFMG, em 2003, Bruno trabalhou um ano como advogado em Belo Horizonte, mas mudou para São Paulo no ano seguinte, onde trabalha com tecnologia no mercado financeiro. Ele explica que a idéia do site surgiu no momento em que o formato mp3 estourou na internet, por volta de 1996. “Lembro do clima de euforia na Efnet, uma das maiores redes de chat (IRC) do mundo, com a possibilidade de trocar discos a incríveis 1.5 kb/s. De uma hora para outra todo mundo tinha acesso a coisas antes impossíveis de conseguir”, diz.

E acrescenta: “era a revolução, porque não bastava mais conhecer um bom número de bandas. As pessoas queriam baixar e escutar discografias completas, conhecendo coisas novas todos os dias. Passaram-se alguns anos, e por não sentir que a imprensa daqui estivesse acompanhando esse novo ritmo (com raras exceções) eu resolvi criar o site”.

O Indierock, que hoje tem uma média mensal de 8 mil visitas, passou recentemente por uma reformulação de seu layout e no conteúdo. Vários colaboradores já participaram, e atualmente Klaus Kohut é o mais assíduo. "Sem ele botando pilha na minha cabeça 24h/dia eu nem sei se teria colocado o site de volta no ar", confessa Bruno. Confira o que ele tem a dizer sobre auto-publicação:

Por que se autopublicar?
Por um lado, porque não sou jornalista profissional, o que limita o meu acesso aos veículos tradicionais. Por outro, porque tenho autonomia irrestrita sobre o conteúdo que publico no meu site.

Você acha que o ambiente universitário ajuda a formar o espírito crítico?
Como foi com você?

Idealmente, sim. Na prática, nem sempre. Estudei em uma das mais tradicionais escolas de Direito do país, e tive contato com alguns colegas e professores brilhantes, que contribuíram muito para a minha formação. Mas, como é o caso em várias Universidades Federais, a desorganização institucional era grande. Faltava material, professores, transparência na tomada de algumas decisões. Curiosamente, esse cenário tem um benefício indireto: os alunos aprendem logo que, se quiserem mesmo aprender algumas matérias, terão que fazer isso sozinhos, correndo atrás de livros e estudando em casa. Acho que essa é a melhor maneira de aprender, e talvez essa tenha sido a mais importante lição da minha vida universitária.

O que você ganha com seu blog?
Financeiramente, nada. E ainda pago por um servidor de hospedagem que não é dos mais baratos, para garantir a transmissão eficiente do conteúdo de áudio e video do site. Mas ganho satisfação pessoal, ao poder expor o que penso e divulgar música que considero relevante.

Qual é a melhor e a pior coisa dessa época de transformações?
Entendendo essas transformações como os impactos da internet na comunicação, diria que a maior conquista dos tempos atuais é a democratização do poder de comunicar em larga escala. É uma mudança democratizante sem precedentes. Você coloca o seu site no ar, e mesmo sem nenhuma divulgação algumas pessoas optam por acompanhar o que você escreve, ao invés de buscar os veículos tradicionais. Os usuários ganham opção de escolha, e a mídia convencional perde o direito de ficar deitada em berço esplêndido, passando a ter que se repensar em uma velocidade bem maior. Todo mundo ganha.

E qual é o seu papel - e o da sua publicação - nesse contexto?
O papel do meu site nesse contexto é o mesmo de milhões de outros endereços na Web: prover conteúdo relevante com autonomia, mas sem perder de vista alguns princípios jornalísticos básicos. A discussão acalorada que costumamos ver sobre as virtudes e os defeitos da Wikipedia, por exemplo, se aplica perfeitamente ao Indierock. Por um lado, temos mais agilidade e liberdade para expor as opiniões que os veículos tradicionais, por não termos rabo-preso com nenhuma fonte de financiamento. Por outro, temos que fazer o possível para garantir a qualidade do conteúdo publicado, checando fatos, reconhecendo fontes etc.

Visite: www.indierock.com.br

Saiba mais sobre a série Autopublicação na prática.
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