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4/1/2007 |
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| 5 perguntas: Bumerangue! |
| O blog, mantido desde 2002, reúne ótimos textos sobre cultura pop e foi até objeto de estudo |
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| Tatiana Dias |
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Auto-intitulado de “articulista da cultura pop”, Vitor Diel é isso. E mais um pouco. Seu blog, o Bumerangue! – “porque as coisas boas da vida vão e voltam” – fala de entretenimento, de política, de baboseiras e fofocas com a mesma carga crítica. Em textinhos deliciosos de ler, crônicas e artigos, Vitor expõe o que acha e pensa de todas as coisas do mundo – sobretudo, de si mesmo.
O quase jornalista – ele se formará ano que vem, na Universidade Luterana do Brasil – fala muito de sua vida particular. Sem firulas, sem nhem-nhem-nhem, ele usa suas experiências para justificar o que pensa do mundo. Em 2004, depois de oito meses de terapia, ele tomou coragem e tornou público no blog um caso de abuso sexual sofrido na infância.
Ele justifica sal decisão, explicando que o problema não é individual, mas social, e que expor o problema pode ajudar outras pessoas a lidarem com o mesmo problema. “Abuso sexual na infância é reflexo de uma sociedade que não conversa abertamente sobre sexo e as inúmeras expressões da sexualidade humana”, justifica. Depois da confissão, muitos leitores, amigos, familiares e desconhecidos solidarizaram-se ou revelaram que passaram pelo mesmo. A confissão tornou Vitor até objeto de estudo, para uma tese de mestrado de Marta Tejera sobre privacidade na internet.
Depois de tantas histórias e quatro anos de existência, Vitor mantém o Bumerangue! vivo com muitos posts por dia. Veja o que ele tem a dizer sobre sua autopublicação.
Por que se autopublicar? Toda publicação é um legado. Acho que todo mundo que publica alguma coisa, seja na literatura, na música, nas artes plásticas, na fotografia, enfim, tem lá no fundo a idéia de deixar algo para a (odeio essa palavra) posteridade. Todo mundo quer ser lembrado pelos seus feitos, evitando assim cair no esquecimento. O barato é que o homem hodierno pode publicar a si mesmo, sua própria vida pode ser uma obra. Aí entra aquele papo todo de pós-modernidade e da ansiedade humana em ser percebido por algo maior. Um blogue faz parte desse contexto, eu creio. É um espaço do indivíduo no mundo - ainda que virtual. Você acha que o ambiente universitário ajuda a formar o espírito crítico? Como foi com você? Em 2007, encerro a faculdade. Desde o início da vida acadêmica senti muita falta de espaços onde a análise crítica fosse estimulada e exercida. Faculdade é curso técnico, forma operários. Aquele conceito universal de exercício do conhecimento é balela. Pelo menos nas universidades brasileiras. Eu imaginava que as instituições públicas ainda conservassem um pouco disso, mas conforme fui tendo contato com estudantes de universidades federais ou estaduais, fui percebendo que o problema é geral, tá na estrutura do ensino brasileiro. E, naturalmente, da sociedade também. O que você ganha com seu blog? Financeiramente, não ganho nada. Já tive algumas idéias pra começar a faturar com o Bumerangue!, mas não sei se me sentiria bem com isso. O meu blogue é o meu espaço. Nos meus textos, não trato só das coisas bacanas que eu vejo nesse mundo de ofertas sedutoras e - muitas vezes - irritantes. Tem muita coisa da minha vida íntima ali. Faturar em cima disso seria como macular a minha história pessoal com pretensões capitalistas. Mas isso, claro, porque eu não tô na pindaíba. Caso contrário, quem sabe? A única coisa que eu ganho são leitores. Eu não sei quantos eles são, o Bumerangue! não tem contador. Não tenho nem idéia de quantas pessoas já leram meus textos. Cem, duzentas, dez mil ou uma só, tanto faz: o importante é que alguém leu. Qual é a melhor e a pior coisa dessa época de transformações? Que transformações? Tu fala dessas mudanças aparentes? Na boa, elas estão sempre acontecendo, né? Hoje em dia elas são mais rápidas, só. O sucesso de hoje é o lixo de amanhã. Mas isso é natural do capitalismo - um sistema que nos joga um monte de novidades a cada minuto, onde o novo é sempre bom e o velho é sempre ruim. O legal disso é que temos inúmeras opções de como gostaríamos de parecer. Além, claro, da infinidade de caminhos pelos quais queremos nos informar. O lado ruim é que tudo isso alimenta uma ansiedade difícil de combater. Por isso que os terapeutas andam com suas agendas cheias. E qual é o seu papel - e o da sua publicação - nesse contexto? Eu só quero que as pessoas reflitam. Não digo que elas só vão encontrar isso no Bumerangue! ou nas minhas crônicas. Os (des)caminhos são muitos. Não acho que eu tenha algo de novo a dizer (quem tem, afinal?), mas creio que consigo sim me comunicar com meus leitores. Gosto do debate, sou a favor da democracia. Quero dialogar. É para isso que escrevo no Bumerangue!.
Visite: bumerangue.pitas.com
Saiba mais sobre a série Autopublicação na prática.
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