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1/12/2006
5 perguntas: Desassistidas
Inspiradas no velho jargão, duas garotas criaram um blog para dizer o que pensam dos homens - e, hoje, têm três colunas e um programa de rádio
Tatiana Dias
Quem não dá assistência, gera concorrência. O velho jargão inspirou duas garotas a criarem o Desassitidas, um blog hilário sobre relacionamentos. Hoje, o negócio cresceu e virou três colunas em diferentes publicações, um programa de rádio veiculado em dois sites e muito amigos.

Nas palavras delas, uma garota está desassitida em vários momentos. Quando o cara ouve algo que diz “Eu não sei fazer poesia/ Mas que se f*d*”. Ou quando ele diz que vai ligar e some. E quando ele se despede e diz “se falamo”. A partir daí, com um toque irônico de feminismo, elas falam de amor e sexo sem nenhum pudor e defendem que a garota pode sim ser usada, se ela quiser.

Roberta Mendonça, a Ro, é arquiteta, formada pela UFSC e Thaise Teixeira, a Tha, é formada em matemática e pós-graduanda em educação matemática. Mas, no blog, elas se apresentam com outro currículo. A Ro “é especialista em relações de gosto duvidoso. Tem trauma de infância por nunca ter usado polainas” e a Tha “tem licença para somar, dividir e multiplicar. Mas em vez de fazer matemática ela gosta mesmo é de se remexer. Ex-integrante do grupo Kaoma, hoje atua como relações públicas”. Veja o que elas têm a dizer sobre o Desassistidas:

Por que se autopublicar?
A prática solitária tem suas vantagens: você não depende dos humores dos outros e se não está afim de publicar, você não publica. Além disso, é portátil: carrega para onde quiser. Basta um micro, conexão e vontade de digitar.

Vocês acham que o ambiente universitário ajuda a formar o espírito crítico?
Como foi com vocês?

Com certeza. A convivência com pessoas de diversas cidades, estados e países coloca uma criatura de 18 anos, recém saída da escola em contato com realidades tão diversas que ela passa a se questionar, a pensar sobre seus valores.
Ro: Nunca tinha dormido na casa de um amigo até chegar na universidade. Família protetora, sabe como é? E aí faço 18 anos e sou jogada numa cidade com 42 praias, estudando com panamenhos, venezuelanos, paranaenses, gaúchos, paulistas... Fui obrigada a pensar com minha cabeça, estimulada a ter minhas opiniões.
Tha: Recebi a noticia que meu pai tinha sido demitido juntamente com a aprovação no vestibular, tive que trabalhar para pagar a faculdade e ainda ajudar nas despesas de casa. Foi assim que aprendi a dar valor a cada palavras de meus mestres: pagando por cada uma delas. Minha formação foi essencial para o meu comportamento ético.

O que vocês ganham com o blog?
Financeiramente, por enquanto, não ganhamos nada. Quanto ao reconhecimento, as pessoas ficam surpresas com o conteúdo porque nossa proposta é inusitada. Somos um tanto autoritárias e megalomaníacas, nosso sonho é mudar a cabeça de homens e mulheres no que diz respeito a relacionamento afetivo. Quando recebemos uma resposta de alguém que teve um "insght" lendo o blog, praticamente gozamos. Mas com certeza o maior prêmio são amigos, muitos são amigos virtuais, mas que já fazem parte da nossa vida.

Qual é a melhor e a pior coisa dessa época de transformações?
O melhor é a proximidade que a tecnologia possibilita. Você consegue manter amizades em outras cidades e as notícias sobre qualquer lugar do mundo são acessíveis. Isso também é o pior, pois a tecnologia criou um tipo de relacionamento que nós chamamos de masturbação emocional: o contato acontece só por MSN, mensagens de celular, mesmo quando as pessoas envolvidas moram na mesma cidade. Então, o que seria uma ferramenta para aproximação de pessoas acaba servindo de abrigo para comportamentos covardes (tem muita gente que se apavora diante dos riscos embutidos num relacionamento e vive assim, sem se aprofundar nas relações).

E qual é o seu papel - e o da sua publicação - nesse contexto?
Estimular um comportamento mais saudável de homens e mulheres em seus relacionamentos. Nós mulheres ainda nos limitamos muito (basta ver como somos escravas da imagem de perfeição, de deusas do sexo). E muitas de nós ainda vivem confortáveis no papel de vítimas, coitadinhas que não têm responsabilidade sobre os próprios atos, aquela história manjada de “pobre garota, foi usada”. Será que essa “mulher usada” não tinha mesmo nenhuma idéia de onde estava se metendo? Nós somos donas do próprio nariz, precisamos assumir isso verdadeiramente.

Além disso, quem sabe um carinha ao ler o blog descobre que é um holograma man e resolve mudar? Ou uma menina percebe que ter namorado não é tudo na vida?

Visite: desassistidas.blogspot.com

Saiba mais sobre a série Autopublicação na prática.
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