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25/10/2006 |
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| 5 perguntas: Mau Humor |
| Desde 2002, o quadrinista Arnaldo Branco publica suas infames tiras e comentários ali; saiba mais sobre o blog |
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| Tatiana Dias |
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O Mau Humor é um dos melhores blogs da atualidade por um motivo simples: é lá que está concentrada a nata do trabalho de Arnaldo Branco, um dos melhores quadrinistas atuais. O carioca – cuja criação mais famosa, o Capitão Presença, virou livro recentemente – posta diariamente pílulas de mau humor.
A nata, claro, são as tiras. Mas as colunas e opiniões do Arnaldo, sempre ácidas, também merecem a audiência. São 800 visitantes diários, loucos pelas pequenas polêmicas criadas ali – que vão de maconha à Fernanda Young. O mais legal de tudo é que as criações do Arnaldo estão em Creative Commons, ou seja, dá para copiar, divulgar e construir outras obras em cima do que está ali.
Formado em jornalismo na UERJ, ele é um dos criadores da Revista F. e colabora para a Tarja Preta. Veja o que Arnaldo tem a dizer sobre o Mau Humor:
Por que se autopublicar? Lembro de uma cena daquele filme do Todd Solondz, "Histórias Proibidas": um molequinho pergunta para a empregada chicana o que é estupro e ela responde: "é quando você ama alguém, não recebe amor em troca e resolve fazer algo a respeito"... é um pouco assim com o mercado editorial, você não recebe amor dele e faz algo a respeito. Você acha que o ambiente universitário ajuda a formar o espírito crítico? Como foi com você? Ajuda, especialmente em relação ao ambiente universitário. Ter professores e colegas idiotas (assim como ter bons mestres e amizades edificantes) também molda o caráter. Tive minha cota de tudo isso, mas na real pra mim o importante é que o ambiente universitário possua ou fique perto de um bar. O que você ganha com seu blog? Menos do que eu mereço e menos do que preciso. Mas tem uma vantagem: nunca fiz um currículo nem nunca bati em uma porta, e mesmo assim publico na grande imprensa. O que não ganhei em reconhecimento economizei com conforto. Qual é a melhor e a pior coisa dessa época de transformações? A pior: a frase "não podemos te pagar, mas vai ser bom para você, vai te dar visibilidade". A melhor: você não precisa participar de nenhum ritual de beija-mão para ganhar algum reconhecimento. Você pode ser o sujeito mais misantropo do mundo, de cueca em casa com seus livros do Cioran e ter leitores. Fantástico. E qual é o seu papel - e o da sua publicação – nesse contexto? Papel... bem, não gosto da idéia de pertencer a algo que tem um nome estúpido como "blogosfera", então creio que o meu papel aqui é zoar. ÊÊÊÊÊ! Cadê a cerveja?
Visite: www.gardenal.org/mauhumor
Saiba mais sobre a série Autopublicação na prática.
A foto do Arnaldo é de Leo Martins.
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