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20/10/2006 |
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| 5 perguntas: Jesus, me Chicoteia |
| Um dos blogs mais famosos da internet, a sátira à bíblia já rendeu muito ao seu criador |
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| Tatiana Dias |
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Ele é da época do “blog ao vivo, sem videotape, em preto e branco”. No ar desde 7 de fevereiro de 2002, o blog Jesus, me Chicoteia já trouxe inúmeras conquistas ao seu criador, Marco Aurélio. Além do trabalho, de possibilidade de publicar um livro, o blog rendeu a ele a namorada.
O Jesus, me Chicoteia foi um dos citados pela revista Época, em sua matéria de capa sobre os blogs. No começo, era uma sátira da bíblia. Hoje, Marco Aurélio variou a temática – mas continua com o tom satírico – e seus mil visitantes diários continuam fiés às suas pregações.
Marco fez duas faculdades incompletas, dois anos de jornalismo na Cásper Líbero e dois de Sistemas da Informação no Makenzie. Agora, ele acaba de passar em um vestibular para outra faculdade de jornalismo. Veja o que ele tem a dizer sobre sua publicação:
Por que se autopublicar? Por que não? As ferramentas estão aí, tudo fácil e acessível, a vontade de se expressar também. Só não se autopublica quem for excluído digital (voluntário ou não).
Você acha que o ambiente universitário ajuda a formar o espírito crítico? Como foi com você? Eu acho que atrapalha muito. Faculdade é um encolhedor de cérebros, um nivelador por baixo. Nas duas faculdades que tentei fazer me senti emburrecer. Vou para uma terceira agora, mas com o firme propósito de ficar calado até o final, pagando em dia para pegar meu diploma logo. Pelo menos garanto o direito a cela especial.
O que você ganha com seu blog? Ah, ganho muito. Pessoas me reconhecem na rua, o que é sempre uma massagem no ego. Quando precisei mudar de área, lá pela metade de 2005, o blog foi um fator preponderante para que o editor-chefe me contratasse, apesar de não ter diploma nem qualquer experiência como jornalista. Os comentários também, saber que alguém riu alto no escritório ao ler algo que escrevi é bom demais. O blog também ajudou a dar um empurrãozinho no Balde de Gelo, livro escrito (em forma de blog) por mim e Daniela Macedo. Ganhei amigos, muitos. Ganho uns caraminguás também: entrei no Google Adsense (programa de anúncios por palavra-chave do Google) em fevereiro deste ano; em setembro recebi um cheque de 108 dólares e já tenho uns 38 dólares acumulados por lá.
Ganhei e ganho muito com meu blog, mas nada se compara à maior conquista que ele já me trouxe: uma garota linda que começou como leitora, virou fã, mandou presente de aniversário com um cartão lindo, e é minha namorada já há quase dois anos.
Qual é a melhor e a pior coisa dessa época de transformações? A melhor é a liberdade de expressão levada às últimas conseqüências. Eu falo do que eu quiser, quando quiser, e minha voz repercute de formas inesperadas. Dia desses, por exemplo, falei de um conjunto vocal esquecido, os Cantores de Ébano. Os leitores foram atrás, ouviram, comentaram, recomendaram a outras pessoas. A pior é o conjunto de ferramentas contra essa liberdade também levado às últimas conseqüências. Veja, por exemplo, a blogueira do "Xô, Sarney!", ou o caso do Gravataí Merengue.
E qual é o seu papel - e o da sua publicação – nesse contexto? Meu papel é o de ser mais um. O papel de cada um é ser mais um. E isso é bom, muito bom: é a criação de uma inteligência coletiva, distribuída e ligada em rede.
Visite: www.jesusmechicoteia.com.br
Saiba mais sobre a série Autopublicação na prática.
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