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19/10/2006
5 perguntas: A Casa Caiu
Conheça a primeira blogovela da história do Brasil, que estréia dia 30 de outubro
Tatiana Dias

500 reais no bolso, uma câmera da mão e uma idéia na cabeça. Foi assim que começou “A Casa Caiu”, a primeira blogovela do Brasil. O roteiro gira em torno de um sequestro, e a trama... é esperar para ver.

A novela é fruto de uma parceria de uma produtora em mídia digital e uma empresa de marketing de guerrilha. Hélcio Brasileiro, um dos responsáveis pela empreitada, conta que tudo foi gravado em um dia só e os atores trabalharam na camaradagem.

“A Casa Caiu” estréia online no dia 30 de outubro. Por enquanto, dá para ver o trailer no site e acompanhar o blog de produção. Formado em jornalismo pela PUC-RJ, Hélcio explica melhor o que eles querem com a blogovela.

Por que se autopublicar?
Com as facilidades de produção e distribuição existentes hoje, há grupos bem nítidos: os que fazem e os que resmungam. A 16x9 Mídia Digital quer entrar forte no mercado e, em vez de distribuir portfolio com VTs convencionais feitos pra TV, queremos abusar de novas ferramentas e possibilidades.

A Blogovela A Casa Caiu é a primeira do Brasil e conta com a expertise da Espalhe em viralizar conteúdo na internet. Vamos dar seqüência a novos experimentos em outros formatos. Ninguém hoje é capaz de mensurar o potencial desse mercado. Nós queremos estar e nos divertir dentro dele.

Você acha que o ambiente universitário ajuda a formar o espírito crítico? Como foi com você?
Não sei se todas as pessoas tiveram a mesma sorte que eu. A turma que cursou comunicação (sou jornalista, mas fizemos o curso junto com o pessoal da publicidade) comigo na PUC-RJ é o maior capital que tenho em todos os sentidos. Hoje há profissionais de muito destaque em vários setores. Continuamos acima de tudo sendo muito amigos (nos falamos todos os dias) e referências uns pros outros. Não tenho dúvida que o convívio com minha turma me fez e me faz descobrir sempre novos horizontes.

O que você ganha com seu blog?
Trabalhava com o Paulo Maranfon, um excelente diretor, e não fazíamos nada além de pequenos VTs que não nos davam prazer. O tempo de angústia por não fazer um filme foi importante. Uma hora estourou. Fizemos a blogovela por causa das circunstâncias. A linguagem veio em decorrência das necessidades de adaptação por causa da falta de recursos.
Tivemos um dia de câmera emprestada, preferi separar em mini capítulos pra ficar mais viável. As circunstâncias também nos levaram ao tema: um seqüestro se passa quase todo na locação do cativeiro e requer pouco elenco. Os atores e outros profissionais trabalharam na camaradagem, compraram a idéia. Todo mundo, inclusive o diretor, praticamente conheceram o texto na hora. Pagamos os assistentes e rangos da galera.
O investimento foi de R$ 500,00. O que a gente não queria era deixar de fazer por causa das dificuldades. Ao todo serão 36 capítulos: escritos, áudio, fotos, desenhos, vídeos do youtube e vídeos produzidos por nós. Foi difícil, mas vai sair.

Queremos produzir cada vez mais e com melhores
condições para nos divertimos e fixarmos nosso nome no mercado de produção de vídeo digital, principalmente com soluções diferenciadas para a internet.

Além disso, a blogovela é uma boa oportunidade para os anunciantes brasileiros interessados em viralizar suas marcas. Fora do Brasil, grandes empresas investem em campanhas virais, pois já conseguem enxergam que dá para inovar e gerar reconhecimento para seus produtos e serviços.

Qual é a melhor e a pior coisa dessa época de transformações?
A melhor são as perspectivas que se abrem para todos os tipos de produção e distribuição. E isso não é só online. Há muita gente falando sobre isso e essa excitação é muito positiva.

A pior é a postura dos barões da indústria de entretenimento que, em vez de se repaginarem e utilizarem a sua expertise para se destacar num novo cenário, se isolam numa ilha de lamúrias querendo se agarrar a um império em ruínas. Não há como colocar o país inteiro, seja um garoto que baixe
arquivos p2p em casa, ou o cara que vende CDs a preços viáveis na rua, na condição de criminosos. Isso não é solução, é tentar prender a população inteira como consumidores de um único grupo que sempre fez o que quis e agora se desespera por ver um novo modelo surgir de forma pacífica e muito mais fértil.

E qual é o seu papel - e o da sua publicação - nesse contexto?
É engraçado como a primeira barreira é quebrar nosso próprio marasmo. Colocando o bloco na rua fica mais fácil manter a festa depois. Além disso a gente desperta nos outros o sentimento do "eu também posso fazer isso", ou "melhor que isso". E claro que essa pessoa vai estar certa em pensar
assim. O importante não é criar um gênero blogovela, é experimentar mais uma formatação, aprender, iniciar caminhos para outras empreitadas, multiplicar naturalmente a produção cultural sem a necessidade de "padrinhos" nem patrões. É muito bom saber que vem muita coisa nova,
criativa e bem feita por aí.

Visite: www.acasacaiu.com.br

Saiba mais sobre a série Autopublicação na prática.
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