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3/9/2005 |
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| Lógica não-linear |
| Tom Zé encerrou o primeiro dia de atividades do II Encontro de Mídia Universitária com papo descontraído sobre sexo, censura e moralismo |
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| Tatiana Dias |
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Quem já gostava dele se apaixonou. Quem não conhecia, também. Depois da histórica apresentação de quarta-feira, Tom Zé mudou de estilo completamente e fez um show diferente, mas igualmente genial, neste primeiro dia do II Encontro de Mídia Universitária. "Um talk show", disse depois, no camarim.
Ele já começou exigindo proximidade com a platéia. “Você não vai ficar perto de mim bancando o tiete”, exigiu. Impossível. Ele explicou que sua apresentação se sustentaria em três temas: sexo, censura e moralismo.
Sua apresentação, lógica e não-linear, começou com sexo e moralismo. Primeiro, falou com sua relação com o sexo desde a infância em Irará – quando o sexo se resumia à música “O Cravo e a Rosa”, que tocou para a platéia. Falou, também de seus treze anos e o despertar da libido, e da descoberta de que seus pais “trepavam”, aos quinze. A platéia acompanhava encantada os causos do baiano. Completou o tema sexo cantando uma canção que “até o João (Marcello Bôscoli) desconhecia”, que falava sobre os dedos. “Os dedos são como um pênis multiplicado”, explicou Tom Zé. Depois, numa performance dramática, tocou “A carta”. A platéia foi abaixo com a teatralidade de Tom Zé.
A platéia era elemento constituinte do show. Tom Zé tocou “Tô”, música que foi censurada nos tempos de ditadura militar ("tô vindo de baixo pra poder subir/ Tô vindo de cima, pra poder cair"). Zélia Duncan regravou essa música no ano passado, e optou por não cantar o trecho censurado na década de 60. Tom Zé tocou a música completa a propôs para a platéia o desafio de descobrir a parte censurada – os presentes não tiveram dúvida ao assinalar “comendo gente fina pra depois vomitar”.
É claro que não poderia faltar uma música de seu disco novo, “Estudando o Pagode na opereta Segrega Mulher e Amor”. Mas é também claro que a performance não poderia ser convencional. Tom Zé tocou uma versão inédita da música, “reprovada” por seus conselheiros juvenis – mas depois deu uma canjinha da versão que todo mundo conhece.
O show terminou com a platéia totalmente hipnotizada pela música “Jimi Renda-se”. Tom Zé pediu para que a platéia cantasse com ele em sua letra inventada e que cada um “se dispa da crítica que o habita e que se divirta”. Ninguém conseguiu ficar calado e todo mundo cantou junto.
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